As mulheres e a Astrologia

Mulheres e a astrologia

Na Idade Antiga, não existia a distinção que conhecemos hoje entre Astronomia e Astrologia, as quais eram consideradas duas faces da mesma moeda. Existem registros desse saber milenar já no período Neolítico, há aproximadamente 10 mil anos. Quando as sociedades primitivas utilizavam relógios cósmicos, que orientaram as primeiras plantações da história e os ajudaram a se preparar para o inverno. Mas como será que foi o real início da astrologia? A gente te conta, veja só: 

O início da Astrologia 

Os mesopotâmicos foram os responsáveis por repartir o céu em doze faixas (a partir do ponto de vista da Terra), as quais representam os signos do zodíaco que conhecemos até hoje. Esses estudos foram aprimorados pelos egípcios, gregos e persas e foram amplamente difundidos pelo imperador Alexandre, O Grande, que padronizou o conhecimento no extenso território que foi dominado por ele. 

Nesse contexto, era comum que a comitiva de conselheiros dos chefes de governo fosse composta por pelo menos um astrólogo e existem relatos de vários imperadores que não tomavam uma decisão sem consultá-lo, como Adriano, que reinou até 138. 

Infelizmente, não há muitas evidências acerca da participação feminina no início da formulação dos conhecimentos astrológicos, porque, nesse período, o papel da mulher era reservado à procriação, à educação dos filhos e aos cuidados domésticos. Sendo assim, elas não tinham espaço na sociedade para desenvolver a sua intelectualidade e eram erroneamente associadas a uma condição de estupidez. 

Mulheres, signos e bruxaria 

Como sabemos muito bem atualmente, sempre existiram mulheres determinadas a modificar os padrões sociais impostos sobre elas. Na antiguidade, a Astrologia era considerada um conhecimento com aplicações práticas para além do seu caráter premonitório, sendo também considerada uma ferramenta importante para os naturalistas e médicos – principalmente na Medicina Medieval. 

Até hoje os signos são relacionados a elementos da natureza, ervas e cristais e, na Antiguidade, os chás e bálsamos receitados eram, muitas vezes, escolhidos com base na análise do mapa astral do indivíduo e muitas mulheres que eram conhecidas como “curandeiras” partiam desse princípio. 

Essas mesmas compõem parte das vítimas da fogueira da inquisição, sendo chamadas de bruxas, devido às suas crenças nos poderes da natureza, que ameaçavam a supremacia da Igreja Católica.

A primeira mulher na Astrologia 

Voltando um pouco à história, entre 117 e 138, durante o Império de Adriano em Roma, encontramos as primeiras evidências da presença de uma figura feminina envolvida no campo da Astrologia. 

Como já foi dito, esse governante utilizava esse saber como um embasamento para tomar ou não decisões, e acredita-se que, além de contar com astrólogos em sua corte, o mesmo também tinha vasto conhecimento no assunto. Adriano fazia questão de que sua esposa estivesse sempre cercada de mulheres estudadas, artistas e poetisas, como forma de distanciá-las de homem e também de desenvolver o seu intelecto. 

É importante ressaltar que esse cenário é uma exceção na história e demonstra que o próprio Adriano estava à frente de sua época, mesmo que houvesse motivações machistas envolvidas na escolha das participantes da comitiva de sua esposa. 

Entre as damas de companhia da imperatriz, Júlia Balbila é a figura que nos interessa, sendo uma das primeiras mulheres a se envolver diretamente com a corte devido aos seus conhecimentos astrológicos. 

Apesar de existirem poucas evidências diretas sobre a influência da própria Balbila, sabe-se que a sua família era composta por orientadores dos reis, como o seu bisavó Tracillus, astrólogo pessoal do imperador Augusto, e o seu avô Balbilus, reconhecido como um importante especialista no campo. Acredita-se, portanto, que grande parte do conhecimento astrológico do imperador Adriano se deu por seu contato com Balbila. 

No fim do século IV, nasceu Hipátia de Alexandria, a qual pode ser considerada importante na história da Astrologia. Apesar de estar mais envolvida com o que hoje chamamos de Astronomia e Matemática, Hipátia fez um mapeamento celeste e foi uma figura inspiradora para que outras mulheres vislumbrassem a possibilidade de se envolver no mundo intelectual. 

Além de dirigir sua própria carruagem e de vestir-se como um professor, se recusando a usar as vestes femininas típicas da época, Hipátia se tornou chefe de uma importante escola platônica.

A Rainha Seondeok de Silla (atual Coreia do Sul) foi outra mulher importante para a consolidação do conhecimento astrológico. Ela herdou o trono de seu pai e dedicou-se à expansão das ciências, construindo a Torre da Lua e das Estrelas, que era utilizada como um observatório para monitorar o movimento dos astros e, a partir disso, fazer previsões astrológicas e meteorológicas.. 

O interesse científico de Seondeok foi muito importante para o desenvolvimento e consolidação dos saberes astrológicos na região onde ela governou, mas a primeira mulher a se envolver diretamente com a Astrologia, segundo as evidências históricas, foi Buran de Bagdá, esposa de um importante califa que governou a Pérsia Oriental e Central entre 813 e 833. Além de vir de uma família de astrólogos, Buran é uma das responsáveis pela criação da Casa de Sabedoria, que foi um evento notável da Idade Média. 

Essa academia de ensino era dedicada principalmente à preservação e à recuperação da cultura Grega, a qual considerava a Astrologia como um ramo legítimo da ciência. Após a morte do seu marido, o novo governante da região não tinha interesse por continuar desenvolvendo o conhecimento científico e a Casa de Sabedoria foi negligenciada, mas Buran continuou seus estudos. 

Um dos principais ramos da Astrologia Antiga era voltado para a antecipação de acontecimento e, assim, Buran previu que o novo califa estava em perigo, avisou-o e conseguiu comprovar sua previsão, reestabelecendo a sua participação na corte e demonstrando a importância desses estudos. 

Dessa forma, percebe-se que, mesmo em um contexto que a participação feminina no mundo intelectual era extremamente limitada, existiram mulheres destemidas que se mostraram influentes no desenvolvimento do conhecimento astrológico; além daquelas que não tiveram a oportunidade de ser reconhecidas, mas que também possuíam grande sabedoria na área. 

Astrologia nos dias de hoje

Felizmente, graças a muitas dessas mulheres que lutaram pelo seu espaço na sociedade, atualmente existem inúmeras astrólogas bem sucedidas, que são vistas como exemplo em sua área. 

Hoje Susan Miller é um dos principais nomes no campo, recebendo em média 18 milhões de visitantes em seu site mensalmente, além de apresentar um programa de TV semanal, escrever para revistas e ser autora de seis livros best-sellers. Susan é uma das grandes responsáveis por tornar a Astrologia mais acessível, tendo lançado o seu site antes mesmo da existência do Google. 

No Brasil também temos várias astrólogas prestigiadas como Serena Salgado, Titi Vidal, Vanessa Tulesk e Isa Mezzadri. Essas mulheres, além de serem inspiração para muitas outras, auxiliam a enriquecer essa área do conhecimento oferecendo cursos, programas de acompanhamento diário e consultas que trazem visibilidade e prestígio para que a Astrologia alcance, cada dia mais, um posicionamento valorizado. 

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Victoria Costa
Apaixonada pelas particularidades da mente humana e pelos efeitos dos trânsitos planetários sobre ela, Vic Costa trabalha como astróloga e redatora no Astrocentro e divide seu tempo interpretando os astros e estudando Psicologia. Como uma boa pisciana, a empatia e a intuição são seus pontos fortes.

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